Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

Os céus do Alentejo

Mäyjo, 30.05.17

ceus_aFOTÓGRAFO PORTUGUÊS CAPTA OS CÉUS MENOS POLUÍDOS DO MUNDO 

ALJUSTREL: A VILA PORTUGUESA QUE VIVE COBERTA DE PÓ

Mäyjo, 30.07.15

Aljustrel_SAPO

No final de 2014, um conjunto de aljustrelenses lançou um abaixo-assinado a alertar a câmara da localidade, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), a Almina – que gere a mina local – e a Assembleia Municipal para a “poeira negra, potencialmente cancerígena, que cai diariamente em cima de uma zona habitada” da região.

Segundo os cidadãos, que há muito procuram alertar para esta situação, a população afectada “respira o pó preto enquanto ouve e sente explosões subterrâneas que fazem o chão tremer”. “O pó é tanto que muitos populares afirmam limpar o negrume dos quintais duas vezes ao dia”, avançava o abaixoassinado.

Segundo uma reportagem da Visão de 2014, Aljustrel sempre viveu paredes meias com o caos ambiental provocado pela exploração mineira. Desativadas, finalmente, em 2008, as antigas Pirites Alentejana reabriram no ano seguinte – com a designação Almina.

A exploração foi reconvertida para a produção de cobre e o pó escuro voltou à vila. “Basta uma volta pelas redondezas para se perceber que, com a retoma da exploração mineira, em 2009, reapareceram muitas das antigas – e também novas – feridas ambientais”, escreveu a Visão.

A partir do momento em que a produção atingiu a velocidade de cruzeiro, a poluição tornou-se tema obrigatório para os 6.000 habitantes da vila, todos dependentes – direta ou indiretamente – da mina.

Emprego ou ambiente?

“O problema insere-se numa dualidade conflituosa em que as notórias chagas ambientais provocadas pela exploração mineira e os benefícios económicos carregados pela mesma se confrontam em polos opostos”, explica o abaixo-assinado.

Segundo o grupo de cidadãos que redigiu o abaixo-assinado, é inegável a mais valia económica da mina para a população. Mas é também impossível “ignorar a rede hidráulica da vila, poluída com metais pesados”. Ou ignorar “as explosões diárias que fazem o chão da vila tremer”, os “solos amarelados” que circundam as zonas explorados ou o estudo do Instituto Nacional de Saúde que colocava o risco de mortalidade por cancro de Aljustrel como o mais elevado do país.

“É também impossível ignorar um artigo do jornal Mapa onde se afirma que Aljustrel é um dos concelhos com maior incidência de cancro pulmonar em Portugal”, continua o abaixoassinado.

Pó de britagem

A poeira aljustrelense terá origem nos processos de britagem (trituração) e de estucagem (queda no parque) do minério em bruto. Não existem dados concretos, porém, sobre que partículas estão a chegar à vila nesta poeira negra. “Essa ausência de informação é só por si alarmante. Mas basta analisar a literatura científica sobre o tema para perceber que as poeiras resultantes destes processos podem conter finas partículas de metais pesados e outras substâncias como sílica, cobre, alumínio, chumbo, mercúrio, enxofre”, avança o abaixoassinado.

O impacto para a saúde destas substâncias inclui irritações nos olhos, doenças respiratórias crónicas ou cancro. “Estamos em plano século XXI e a situação nesta vila alentejana é inadmissível”, escreveu-nos há dias o leitor Humberto Figueira, alertando-nos para a situação.

Nas redes sociais é também possível encontrar referências ao pó aljustrelense – a página do Facebook Não ao Pó da Mina, por exemplo.

Como os pesticidas estão a destruir os solos portugueses

Mäyjo, 18.02.15

Como os pesticidas estão a destruir os solos portugueses

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro concluiu que as misturas de pesticidas utilizadas na agricultura para combater as pragas estão a provocar efeitos colaterais nos organismos que regeneram o ecossistema terrestre. Segundo o estudo, citado pelo jornal i, estes pesticidas estão a colocar em causa a saúdo dos solos portugueses.

Um dos exemplos é o chamado “remédio dos caracóis” que, para além do alvo principal, acaba por matar bichos-de-conta, minhocas e outros invertebrados benéficos para o solo.

Esta é uma das muitas pesquisas que aponta para o facto de os solos em Portugal enfrentarem problemas de sustentabilidade. Nos últimos dez anos, a qualidade dos solos portugueses caiu e a aridez aumentou por causa das alterações climáticas.

Segundo o estudo, que se baseia em dados de 2001, 20,4% dos solos portugueses encontravam-se “muito degradados” e 11,8% estão “degradados”. Só 35,7% são considerados produtivos e 20,5% maduros. Por outras palavras: mais de um terço do território nacional apresenta sinais de degradação.

O Alentejo, as regiões Centro e Norte, especialmente junto à linha de fronteira com Espanha, são as zonas mais preocupantes. Por outro lado, 52% dos solos apresentam “grande ou elevada susceptibilidade de desertificação”.

Foto: r PhillipC / Creative Commons